sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Retrospectiva 2013

Acredito que já é o momento de minha retrospectiva anual, com a pitada de humor de sempre. Ah, 2013! Quantas emoções... 

Os mascarados tomaram as ruas do Brasil e quebraram tudo. A pauta da revolta? Até hoje não se sabe ao certo, mas parece que foi por 20 centavos. O resultado é que arquivaram a cura gay, detonaram a PEC 37 e, para agradar as multidões, os políticos dançaram até a hula na câmara. Marco Feliciano foi presidente da comissão de direitos "desumanos". Romário virou chefe de partido, mas continuou de língua presa e Tiririca foi oficialmente considerado alfabetizado. O rei do camarote esbanjou e depois sumiu, acuado pelos plebeus. De forma veloz e furiosa Paul Walker morreu. Chorão também se foi, levando Champignon e a heterossexualidade de Daniela Mercury. Mandela partiu e finalmente, depois de 15 dias de funeral (formol importado?), foi enterrado, após a tradução do mais famoso intérprete esquizofrênico. Obama foi apagado no ano de 2013, sendo lembrado apenas pela promoção do "selfie". No futebol, alguns clubes desceram e outros subiram. Alguns ainda "tapetaram" (coisa de brasileiro). Mal se conseguiu enxergar a lanterna do náutico e, coincidência ou não, o timbú de estimação de minha amiga, Patrícia, foi a óbito. O sorteio da Copa do Mundo agradou os brasileiros e, principalmente, os americanos, mas os seios siliconados de Fernanda Lima foram proibidos no Irã. Lá não fizeram protesto por conta disso. Anderson Silva caiu de maduro, ficou mais rico e prometeu revanche milionária. 

O fígado de Zeca Pagodinho parece que resistiu mais um ano. Na internet mataram Reginaldo Rossi três vezes, mas o brega ainda vive, apesar da saída da loirinha da banda Kitara. O lançamento do Playstation 4 foi um fiasco no Brasil, custando mais de dez vezes o seu valor em impostos. E o iphone é o iphone. Em compensação, a corja do mensalão passa temporada no presídio, graças ao famoso ministro Joaquim Barbosa, agora inimigo número um do PT. Lula venceu o câncer, comeu pizza vendo o mensalão ruir pela TV e prometeu reeleger Dilma. O EUA hackeou o Brasil e Eduardo Campos prometeu milagres e resolveu tentar a presidência da república, daí em diante o resto foi propaganda eleitoral. O egito veio ao Brasil, mas as pirâmides financeiras ruíram e milhares ficaram no prejuízo. Ganhamos um novo papa argentino, que passeou pelo Brasil enquanto revoltados tiravam as roupas e Ronaldinho prometia casar novamente, provando que o instituto do casamento está realmente falido. Neymar partiu do Brasil e provou que o dinheiro consegue belas namoradas. O tomate subiu 80%, enquanto a fortuna de Eike Batista afundou mais do que isso. A inflação também subiu, junto com o dólar e o euro. Quem passava as férias na Europa teve que se contentar com o Piauí. Bieber fez vergonha, pichou e avacalhou o Brasil, enquanto as fãs viram só metade do show. O goleiro Bruno foi condenado por homicídio e o júri do Carandiru chegou ao fim, depois de quase 20 anos. A mídia ninja deu ibope, mas não mais que o The Voice Brasil ou o potencial avassalador do app Lulu. 

Tivemos muito mais em 2013, mas para garantir a sanidade é melhor parar por aqui e deletar o resto. 

Igor Leite

Turn, Turn, Turn

Não existe vida sem momentos de tristeza, dor e amargura. Viver é percorrer um longo percurso, em uma estrada desconhecida e repleta de surpresas e alegrias, mas também de desventuras e dissabores. Para cada sorriso há uma lágrima. Para cada ano vivido, uma doença. Para cada conquista, uma perda. A paz de espírito, em parte, decorre do entendimento do trajeto tortuoso que todos temos que percorrer. 

No entanto, entender as dificuldades da vida é diferente de estar apto ao enfrentamento. Embora saibamos das vicissitudes do mundo, ninguém é imune a dor e ao sofrimento.  E não há texto ou reflexão que nos prepare para as batalhas que todos temos que enfrentar. 
Mas é também verdade que podemos atravessar os problemas com mais leveza de espírito. Precisamos apenas transcender os sentimentos mais densos e negativos, lembrando do poder inestimável do amor e do tempo. 

O amor é remédio universal para todos os sofrimentos de nossa existência. O abraço amigo e desinteressado. O afeto gratuito em momento de dor e perda. A sensação de fazer parte de um grupo e de ser importante na vida de alguém. O carinho insubstituível da família. O amparo que muitas vezes surge de completos desconhecidos, do mundo virtual ou do próximo. O amor sempre encontra uma forma de alcançar cada um de nós. 

O tempo, por sua vez, dilui o sofrimento e as dores. O tempo permite a cicatrização de feridas do corpo e da alma. E mais importante que tudo, o tempo traz a aceitação, que então permite a superação das tantas dificuldades que encontramos e enfrentamos ao longo da vida. Ninguém escapa dos efeitos do tempo. Com ele envelhecemos e amadurecemos. Com ele mudamos por dentro e por fora. Com ele, simplesmente, tudo passa e nós também passamos. 

O amor e o tempo são capazes de alcançar nossa alma e nosso ser até quando criamos barreiras emocionais ou fugimos de tudo e de todos. Ninguém escapa do tempo e o amor parece que flui em uma rede invisível, alcançando todos os seres, em todos os lugares do mundo e de forma universal e sublime. Se fecharmos os olhos, ainda que em momento de sofrimento e angústia, lembrando do poder do tempo e do amor, logo percebemos que tudo é transitório nessa vida e que depois da tempestade sempre vem a bonança. 

A música Turn, Turn, Turn (The Byrds) traduz bem a essência desse sentimento:

"Vire, vire, vire...

Para tudo (vire, vire, vire)
Há uma época (vire, vire, vire)
E um momento para cada propósito, sob o céu

Um momento para nascer, um momento para morrer
Um tempo para plantar, um momento para colher
Um momento para matar, um momento para curar
Um momento para rir, um momento para prantear

Para tudo (vire, vire, vire)
Há uma época (vire, vire, vire)
E um momento para cada propósito, sob o céu

Um momento para edificar, um momento para desmoronar
Um momento para dançar, um momento para se condoer
Um momento para livrar-se de pedras, um momento para reunir pedras

Para tudo (vire, vire, vire)
Há uma época (vire, vire, vire)
E um momento para cada propósito, sob o céu

Um momento para amor, um momento para ódio
Um momento de guerra, um momento de paz
Um momento em que você deve abraçar, um momento para abster-se de abraçar

Para tudo (vire, vire, vire)
Há uma época (vire, vire, vire)
E um momento para cada propósito, sob o céu

Um momento para ganhar, um momento para perder
Um momento para rasgar, um momento para costurar
Um momento para amar, um momento para odiar
Um momento para paz, eu juro que não é tarde demais"


Igor Leite

Dia do Delegado de Polícia

Hoje é dia do Delegado de Polícia. É um dia como outro qualquer. Mas é uma oportunidade de agradecer a Deus por ter escolhido e recebido essa missão, de defender e proteger a sociedade. É o momento de lembrar das dezenas de colegas que já perderam a vida no exercício da função ou em razão dela. Lembrar de seres humanos que partiram mais cedo, deixando famílias desamparadas, mas que deram o último suspiro enquanto amparavam o próximo, tentando fazer desse mundo um lugar melhor. 

É dia do delegado. Mas é momento de lembrar de todos os policiais (civis ou militares) que carregam essa dádiva e, ao mesmo tempo, essa chaga, que é a de trabalhar na Segurança Pública no Brasil. Talvez só entendam algumas dessas palavras e sentimentos aqueles que convivem a realidade policial de todos os dias, abdicando de quase tudo por quase nada. 

Agradeço aos amigos de profissão, verdadeiros heróis, que me acompanham nessa caminhada e sem os quais nada é possível. Que Deus guarde cada um de vocês. 

Agradeço a população que tanto tem auxiliado nosso trabalho e reconhecido os nossos esforços e dedicação. Quando saímos no meio da madrugada para a próxima missão, nosso pensamento está em cada um de vocês, que convive com esse mundo violento e depende de nosso trabalho.

O dia do delegado é um dia como outro qualquer, mas para quem tem a polícia estampada na pele e no coração, é um dia diferente. Ainda que seja apenas pela esperança de que sejamos sempre diminutos instrumentos de Deus na construção de um mundo e futuro melhor.

Parabéns aos Delegados e todos os Policiais de Pernambuco e do Brasil. 

Igor Leite

Liberdade em Duas Rodas

Algumas vezes tenho vontade de sumir no meio da noite. Sair sozinho na surdina e sem aviso. Montado no meu motor de duas rodas. Desaparecer nas curvas sem destino. Inspirado nos ventos frios que atravessam o oceano. Cruzar a cidade rumo ao infinito.

E então lembro das inesquecíveis palavras de Meireles:

"...Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda..."

E do sublime pensamento de Bontempelli:

"A verdadeira liberdade é um ato puramente interior, como a verdadeira solidão: devemos aprender a sentir-nos livres até num cárcere, e a estar sozinhos até no meio da multidão."

Então fecho os olhos e acelero no travesseiro, rumo ao mundo dos sonhos. A moto fica para outro dia. A liberdade fica para sempre. 

Igor Leite


Se Você Apenas Sorrir

Um simples movimento da musculatura, que expande a boca e exibe os dentes. O sorriso é algo mágico. Quando suave, sugestivo e acompanhado de um "olhar 45", pode ser a ação mais sedutora do mundo, derretendo corações e composturas. Pode vir acompanhado do som de uma gargalhada e contagiar o universo ao seu redor, multiplicando risos. Pode até ser discreto e sutil, mas exímio transmissor de simpatia e bem estar. O sorriso espontâneo traduz a alma e reflete o espírito. Não precisa de tradução. O sorriso é universal. 

Não é a toa que Madre Tereza de Calcutá dizia que jamais conseguiria entender todo o bem que um simples sorriso pode causar e que a paz começa com o sorriso. Estudos científicos diversos comprovaram que quem sorri mais tem uma vida mais saudável, duradoura e feliz. As pessoas mais atraentes do mundo são as que estampam sempre um belo sorriso no rosto. E o sorriso começa no útero, quando somos ainda diminutos fetos no aconchego materno. O sorriso estimula o corpo e o cérebro a produzirem químicas que possuem efeitos extremamente positivos e duradouros. 

Se tudo isso não foi suficiente para convencer o leitor da importância do sorriso, sorrir ainda é de graça e, ao que tudo indica, não causa cãibra ou qualquer malefício. Parece que até o sorriso forçado é melhor do que a ausência do sorrir. Se o sorriso pode transformar as pessoas e o mundo, pode certamente mudar o seu dia. 

Charles Chaplin, o gênio do cinema mudo, escreveu a belíssima canção "Smile":

"Sorria (Charles Chaplin) 

Sorria
Embora o seu coração esteja doendo
Sorria
Mesmo que ele esteja partido
Quando houver nuvens no céu, você vai superar
Se você sorrir durante a dor e a tristeza
Sorria
E talvez amanhã
Você verá que o sol vem brilhando
Para você

Ilumine o seu rosto com alegria
Esconda todo rastro de tristeza
Embora uma lágrima
Possa estar tão próxima
Este é o momento
Que você tem que continuar tentando
Sorria
Qual a utilidade do choro?
Você descobrirá que a vida ainda vale a pena
Se você apenas sorrir

Este é o momento
Que você tem que continuar tentando
Sorria
Qual a utilidade do choro?
Você descobrirá que a vida ainda vale a pena
Se você apenas sorrir
Sorria"

Nada melhor do que ouvir de um mestre da comédia, que entende na prática o poder e os efeitos do sorriso. Mas e você? Já deu um sorriso hoje?!?

Igor Leite

Animais: Abandono e Descaso

A história da humanidade é de exploração animal. O surgimento dos primeiros grupos sociais primitivos, que deixaram de ser nômades e fixaram residências em áreas férteis ao plantio, vem acompanhada também da história da pecuária e da utilização de animais como instrumentos de guarda, transporte e companhia. Inegável que sem os demais seres vivos a humanidade jamais seria o que é hoje. Dependemos de todo o ecossistema terrestre e, de forma mais simplória e menos ecológica, precisamos de alimentos e derivados diversos do mundo animal. 

Há incontáveis relatos históricos de violências e abusos praticados contra os animais. Mas não precisamos citar casos específicos e chocantes. Basta lembrarmos que o homem foi capaz de fazer escravos de semelhantes e negros. Se o igual sofreu brutais violências no passado, podemos apenas imaginar as atrocidades que sofreram os animais. Todavia, felizmente, o ser humano evoluiu com o tempo. E assim como surgiram os direitos humanos, surgiram as noções ecológicas, de direitos coletivos, bem comum e também de proteção e defesa animal. 

No entanto, ao que parece, a evolução conceitual não foi acompanhada de um progresso real da educação ambiental e muito menos da produção legislativa. Como delegado de polícia posso garantir que as leis criminais são pífias. Como exemplo, digo apenas que se hoje alguém tortura um animal por dez dias consecutivos (com qualquer meio cruel que se possa imaginar) e depois esquarteja o ser vivo, o resultado é apenas um crime de menor potencial ofensivo. Ou seja, entra e sai pela porta da delegacia em trinta minutos. É um problema de lei que ainda esbarra na deficiência dos órgãos e estruturas públicas de proteção animal. Já apreendi diversos animais vitimados por violência e penei para conseguir algum órgão que recebesse e/ou cuidasse do animal. O caso mais recente foi a tentativa de encontrar local propício para encaminhar mais de cinquenta galos utilizados em rinhas. O IBAMA não recebeu, nem o CPRH, nem o CIPOMA... A Prefeitura de Jaboatão felizmente encontrou uma solução depois de longa peregrinação. 

Hoje em dia vemos grandes mobilizações da sociedade organizada. Cidadãos formam grupos ou sozinhos resgatam animais em vias públicas ou até em propriedades privadas, muitas vezes colocando em risco a própria vida e, quase sempre, retirando os custos de transporte, tratamento e cuidados do próprio bolso. Os animais, principalmente cães e gatos, são então colocados em propriedades particulares, que na maior parte das vezes não possuem condições técnicas ou estruturais adequadas ao devido cuidado. E por meses (ou até por toda a vida) aguardam adoção.

Alguns podem pensar que esse tipo de grupo de resgate civil é a solução ao grave problema do abandono ou maus tratos. Ao contrário, parece apenas mais um sintoma do descaso que há com a questão animal no Brasil. Há milhares de crianças desamparadas no país, mas para a organização e existência de um abrigo de crianças é necessário o preenchimento de uma série de requisitos legais. Há aparatos públicos que fiscalizam e dificultam a existência irregular, em local sem condições técnicas ou estruturais. O cuidado indevido ou inadequado pode ser fatal ou ter também consequências irreversíveis. É a falta de uma estrutura similar, no caso animal, que permite a proliferação de grupos civis, muitas vezes incapazes tecnicamente e/ou estruturalmente, mas aptos de coração e trabalhando apenas por amor aos outros seres vivos em situação de desamparo.
 
É evidente que qualquer atitude pro-ativa é louvável. O trabalho dos grupos organizados civis tem sido, quase sempre, extraordinário. Mas os animais estão aos milhares e amontoados nos grandes centros urbanos por todo o Brasil. Mais importante que arregaçar as mangas e tentar solucionar o problema por conta própria, é uma mobilização nacional para exigir do poder legislativo (dos políticos eleitos pelo povo) a elaboração de uma legislação criminal mais eficiente e a criação de uma estrutura pública suficiente e eficaz ao enfrentamento do problema. Com esforços pontuais conseguiremos muito pouco para o deslinde de um problema que cresce em complexidade e tamanho. 

Meu trabalho e minha voz são diminutos diante da conjuntura e da realidade nacional. Mas temos que fazer a nossa parte e usar também as redes sociais da forma mais prolífera possível. 

Igor Leite

Delegado de Polícia e Biólogo (por amor ao mundo verde).

Morte

A idéia da morte sempre aterrorizou o homem. Difícil imaginar que nosso "eu" ou consciência, que nos permite pensar, dialogar com nós mesmos, refletir o mundo e decidir nossas vidas, simplesmente se apaga e deixa de existir. No momento em que o leitor faz a leitura deste texto é a consciência desperta que compreende e reflete sobre o assunto. Imaginemos agora que ela apenas se apaga, como um desmaio ou um sono sem despertar. E apaga para nunca mais acordar, como se nunca tivesse existido ou nada fosse ou tivesse vivido. A idéia da "não existência" pode ser verdadeiramente inquietante. 

Então vieram as religiões, com os conceitos de ressurreição, renascimento, reencarnação e vida após a morte. Não há prova concreta de nada, mas dizem que é apenas uma questão de fé. Fé que é inquestionável e não permite incursões filosóficas. Com a fé religiosa simplesmente acreditamos que existe algo melhor por vir e acabamos com a inquietude de uma possível existência finita. E assim vivemos melhor ou sobrevivemos.

Todavia, ainda não sabemos a razão da existência ou o sentido da vida. Nascemos com a única certeza da morte e do sofrimento, mas sem nenhum roteiro ou manual de instruções que explique o que devemos fazer enquanto vivos ou por qual motivo estamos aqui. A ciência não explica o sentido da vida, como não explicam as dezenas de correntes filosóficas que produziram respostas diversas e, por vezes, contraditórias.

Mas então vieram as religiões, com as idéias de evolução do espírito, fazer o bem, fugir do pecado e cumprir mandamentos e regras comportamentais diversas. Tudo com o intuito de chegar ao paraíso ou atingir a evolução suprema.  Mais uma vez, é apenas uma questão de fé, que não permite questionamentos profundos ou incursões filosóficas. Mas assim acabamos com mais uma inquietude humana. 

Parece que a fé religiosa é a resposta para todos os grandes problemas e questões da vida! Provavelmente não viveríamos bem com essas grandes perguntas em aberto. Mas então seria a fé uma criação / ficção humana, criada apenas para preencher lacunas? Talvez precisemos acreditar em algo. A incerteza corroeria o nosso ser. Mas, saber a verdade, só depois da única certeza de todos nós: a morte. Ou talvez apenas fechemos os olhos, em um sono inconsciente e infinito. 

Igor Leite